Gente, este perfil não é meu! Só tenho aquele L ...
Quando vejo uma coisa dessas fico tentando entender de onde uma pessoa tira tempo e disposição pra tentar viver uma vida que não é dela. Sim, porque, no mínimo, o ser por trás desse fake não tem uma rotina muito interessante. Pior: não tem um pingo de personalidade. Fico na torcida pra que um dia, quem sabe, isso mude... e ele(a) não veja mais sentido em copiar e colar fotos e palavras alheias.
Em tempo: acabei de ser informada que aquela tal de Marcella Figueiredo (que usa minhas fotos há anos) também não desiste!!! Pra denunciá-la, é só clicar aqui.
Já tive orgulho de dizer que funciono melhor sob pressão. Com essa vida maluca e essa necessidade de dar conta de tudo ao mesmo tempo é impossível não olhar apenas o lado bom de conseguir produzir no caos. E pra mim, uma agenda lotada é sempre um prato cheio para executar minhas tarefas com precisão.
Mesmo.
Uma lista imensa de coisas a fazer assusta, é verdade, mas é o ócio que me deixa realmente confusa. Esses dias fiquei três horas deitada assistindo televisão e levantei da cama com muito peso na consciência.
Er... não é normal, eu sei.
Eu trabalho bastante, sou dona de casa e dona do meu nariz, vivo e me sustento sem a ajuda de ninguém - o que dispende muito do meu tempo e cansa minha cutis, como dizem as dondocas - então mereço ficar deitada na frente da televisão, não? A tentativa é constante, mas ainda não consigo enxergar as coisas por este ângulo.
Nunca é tarde pra mudar, sou adepta more dessa filosofia. Mas no fundo, no fundo, parece que sempre vou ser mais produtiva quando tiver muitos deveres e pouco tempo. Em que momento isso se tornou uma lei pra mim? Não consigo lembrar, mas faz anos que solto palavras ao vento... gabando-me de tal capacidade e, vez ou outra, incomodada com a falta de preocupações. Almejando a agonia, o tumulto e a velocidade, pra ficar alerta e perspicaz - mesmo que me arrependa depois!
E, francamente, eu quase sempre me arrependo.
EXEMPLIFICANDO
Pra se ter uma ideia, no último ano da faculdade passei por um sufoco que insisto em lembrar pra nunca mais repetir a dose. Comecei a ler os livros da dissertação de conclusão de curso com quase um ano de antecedência (milagre). Li muito. Escrevi, escrevi, escrevi... fiz pesquisas de campo, entrevistei pessoas, transcrevi as entrevistas e me surpreendi com aquela falta de pressão toda. A pessoa que se organizava com tanta antecedência nem parecia eu...
Eis que duas semanas antes do prazo de entrega do TCC, enquanto a maior parte dos meus colegas se escabelava digitando os capítulos, eu, orgulhosa, apenas revisava as quase 170 páginas prontas.
Foi aí que tudo degringolou: aquelas duas semanas de folga me fizeram perder a compostura. Fiquei atrapalhada (simplesmente fiquei, não tem desculpa plausível!) e acabei deixando pra imprimir tudo no dia da entrega. Façam as contas: 170 vezes seis. Seis cópias!
Todos os problemas possíveis e imagináveis aconteceram. Apavorada e arrependida de ter deixado pra última hora, coroei a inevitável pressão com uma queda histórica. Eu morava num sobrado com 21 degraus e rolei escadaria abaixo, junto com todas cópias do TCC. Não sabia se me desesperava pela dor que sentia no corpo ou pelo susto de ver aquelas dissertações prontas, lindas, encadernadas, espatifando-se degrau por degrau.
No fim deu tudo certo, mas... pergunta se aprendi a lição?
Minha ausência é por pura falta de tempo pra escrever. Desde que cheguei em Maceió minha rotina se resume a trabalho e passeio. Difícil ter vontade de ficar na frente do computador, né?
Pra compensar, um videozinho do nosso primeiro dia por aqui... depois de horas dentro de aeronaves, conseguimos almoçar perto das 16h. O garçom sumiu, mas eu assumi o papel com maestria (falta de modéstia mode off).
Volto pra São Paulo amanhã e a partir de agora fico bastante em casa. Novidades profissionais no mês de novembro: vou apresentar um programa diário no estúdio, substituindo uma colega que entra em férias! Passo os horários aqui ou no Twitter...
Besos!
Não conseguiu assistir o vídeo pelo blog? Clica aqui.
Eu tinha pouco mais de 18 anos quando ouvi pela primeira vez que tudo nesta vida é substituível. Acatei, em princípio, essa ideia - frente a situação em que tal frase me foi dita - mas com o passar dos anos sentia-me inquieta cada vez que alguém tocava nesse assunto.
Está aí um dos melhores aspectos do amadurecimento. Aprende-se, com naturalidade, a construir argumentos frente aquilo que se acredita ou não. E é assim que eu enxergo hoje algumas verdades aparentemente incontestáveis. Exemplo um: os opostos se atraem. A não ser na física, não creio mesmo (tema para outro post). Exemplo dois: só me arrependo daquilo que não fiz. Acho essa tese um absurdo (inclusive já escrevi um post sobre isso).
Mas agora quero falar sobre o quanto a maior parte das pessoas e dos momentos que já vivenciei são, definitivamente, insubstituíveis.
Esta rotina de viajar por todo país e passar os dias sentindo muita saudade - às vezes de um cheiro, de um lugar, de uma conversa, de coisas teoricamente tão banais - fez-me dar ainda mais valor a tudo o que me rodeia.
Aquela pessoa que tantas vezes foi chamada de fria, insensível, coração de pedra, tornou-se, com muito orgulho e nenhuma vergonha, quase uma manteiga derretida. A distância tem o poder de modificar muitos conceitos, podem acreditar. Continuo a mesma inconstante, quando o assunto sou eu, entretanto, quando o assunto são os outros, quero mais é criar raízes: não deixar que ninguém especial saia da minha vida sem um porquê.
QUARTETO FANTÁSTICO
Que eu gosto de ter muitos amigos, ao contrário daqueles que enchem a boca para dizer que os verdadeiros não preenchem as duas mãos, também já foi dito aqui. Mas hoje quero falar especificamente de três amigas que gosto demais. Porque embora já tenha dissertado sobre uma, em particular, é impossível não pensar no quanto o nosso quarteto se completava e afinizava.
Há quase três anos, em seguida que cheguei no novo emprego (completamente perdida), por coincidência ou não, foram elas que, embora individualmente, mais me acolheram e fizeram eu me sentir confortável. Porque uma coisa é fato: se não me dão oportunidade, dificilmente vou me enturmar à força.
Algumas pecualiaridades de quando eu, Adri, Dessa e Mari nos conhecemos só eu me recordo, mas é aquela velha história... quem faz o bem, sem pretensão e esperar algo em troca, é muito provável que esqueça. De outro lado, quem recebe o bem, a generosidade, o sorriso, a palavra amiga, por mais simples que seja, jamais esquece.
Mesmo que durante muitas vezes eu tenha estado ausente, sabia que ao retornar ia ter o abraço forte delas três, os semblantes felizes e sinceros ao me verem... adorava esse reencontro! A necessidade de colocar o papo em dia, marcar alguma jantinha, etc, etc.
Ontem, enquanto diminuía algumas das nossas fotos para publicar, pensei que talvez elas não tivessem noção do quanto foram e são importantes pra mim. E fiz questão de vir aqui só pra registrar: o nosso quarteto, no meu coração, nunca vai deixar de existir...
É PELA VERDADE QUE EU ESCREVO Pra jamais subestimar ou superestimar o que já me aconteceu...
Aqui entre nós, ainda que de forma inconsciente, todos acabamos por enfeitar, omitir ou apagar momentos que vivenciamos e ideias e ideais que tivemos.
É natural. É humano.
Mas eu simplesmente não admitiria, por exemplo, marginalizar o que já pensei ou desejei. Não me permitiria mentir para mim mesma. Quero a certeza, sem lacunas, dúvidas ou imaginações. Quero a verdade para me conhecer, entender-me, crescer. Só assim me sinto forte. E, aliás, costumo desconfiar de quem diz que não se conhece. Como assim? Então quem? O terapeuta?
Escolher a melhor maneira de agir, principalmente nos momentos mais difíceis - e de uma maneira que me satisfaça – fica muito mais fácil estando ciente do que me faz bem ou mal. Preciso estar consciente de quem fui, o que quis, o que me incomodou, o quanto evoluí... e a falta de registro camufla a verdade, deixa-me inquieta.
Então eu escrevo. Guardo debaixo de sete chaves, releio pelo menos uma vez por ano, dou risada, emociono-me e às vezes até choro. Porque o que de mais importante já passou pela minha mente, com os detalhes mais sórdidos ou perfeitos, nunca foram publicados neste blog. O que de mais relevante passou pelos meus pensamentos, está lá nos meus milhares de papéis, como uma testemunha fiel que não deixa eu me perder. E essa prática, tão simples e cotidiana, nada mais é que o complemento de um vídeo ou uma fotografia. É a prova de que a vida esteve ali. Repleta de felicidade e entusiasmo ou decepções e incertezas.
A memória seletiva faz com que a maioria das pessoas perca partes algumas vezes preciosas de suas histórias. Porque a entropia se faz presente em toda a nossa trajetória: assimilamos só aquilo que queremos ou que nos convém. E eu não quero perder nada.
Quero a chance de poder visitar de vez em quando o meu passado - quase que enxergando o dia em que tive aquele papel e aquela caneta em mãos e, em alguns casos, mal me reconhecendo naquelas linhas - e confirmar que a aflição que me dominava realmente não tinha um porquê. Ou quem sabe me orgulhar ao constatar que tudo o que almejei se concretizou sem que eu passasse por cima dos meus valores.
Sigo meu caminho deixando rastro mesmo... pra jamais esquecer quem eu sou, de onde vim e tudo o que passei para chegar até aqui.
Simples assim.
“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."
(João 8 : 32)
Nunca em toda a minha obsessiva trajetória de listas tive uma tão grande. Separei por setores e grudei na geladeira para tentar cumprir todos os ítens no tempo estipulado (até quarta-feira que vem). O problema é que minha mente insana resolve, todas as noites, lembrar de mais e mais coisinhas... lugares pra ligar, tetecas pra comprar, assuntos pra resolver, endereços pra trocar, documentos, móveis, burocracias, instalações... ufa! Sinto-me numa verdadeira bola de neve, imaginando o agradável dia em que tirarei aqueles papéis dali.
Minha última saga tem a ver com a decoração aqui do apartamento. Sério, quase surtei. Pra vocês não acharem que é exagero, exemplifico: cheguei a ter pesadelos com isso na noite retrasada. Sei que parece piada, mas infelizmente não é. Passei a madrugada toda acordando! Foram dois dias e meio olhando móveis, tirando fotos, medidas, anotando observações e, o pior, gostando de tudo, querendo tudo! É ruim demais tentar organizar um cômodo vazio... algumas coisas não combinam, outras não cabem... e olha que sempre adorei comprar objetos pra casa, mas começar do zero é muito complexo (pra não dizer chato)! Chegará o dia em que meu trabalho vai ser só abrir a carteira e designar o serviço a um arquiteto e/ou decorador de ambientes.
Bom, mas depois de inclusive - pasmem - colar fita adesiva em todo o chão da minha sala tentando imaginar o espaço que cada móvel ocuparia, finalmente acabei decidindo... e comprando quase tudo que faltava. Ainda preciso colocar uma persiana no janelão imenso que dá pra minha sacada. Ele proporciona uma luminosidade luxo para a maioria das pessoas... menos pra mim. Quem me conhece sabe que eu adoro ficar na penumbra, principalmente em dias de folga.
No mais, estou quase expert no trânsito e no transporte paulistano. Tenho atravessado a cidade atrás de lugares bons e baratos, indicados por amigos que moram na terra da garoa há mais tempo. Porque, convenhamos, comprar aqui nos Jardins é pedir pra pagar muito caro. E já que o assunto é esse, falemos da Etna Home Store: fiquei encantada com a loja, paraíso total! Comprei muito lá... desde uma estante toda maluca de 1m95 até uma mesinha pra usar o notebook na cama, um lixo pra pia, um estojo bonito e prático pras minhas canetas que viviam soltas na bolsa, o rack pra televisão da sala, etc, etc.
DONDOCA É UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO
Falando em televisão, eu tinha comprado uma mesinha bem simples pra colocar a TV do meu quarto (não cabe mais nada no meu quarto, diga-se) e o seu zelador demorou muito pra vir aqui montá-la. Ansiosa que nem sou, hoje à tarde, munida de martelo, chave de fenda, parafusos, brocas e coisas do tipo, decidi que trabalho braçal não pode ser apenas associado à força masculina. Diferente daquela vez que tentei arrumar a máquina de lavar e alaguei a cozinha, minha experiência como marceneira deu muito certo. As fotos foram tiradas na minha sacada, que já tem rede, mas ainda não tem uma cadeira de palha confortável para receber os amigos e tomar chimarrão olhando os prédios, as ruas e as árvores do meu bairro:
Tirando o fato de que meu braço e meu pulso direito estãos doloridos de tanto martelar as brocas que teimavam em não entrar nas circunferências apropriadas, tudo saiu como eu imaginava.
Já não preciso olhar para o chão pra assistir TV!
Falando em televisão parte dois, amanhã terei todos os canais da NET! Semana que vem chegam mais alguns móveis, terça-feira meu novo computador super turbinado e assim tudo vai se encaminhando...
Andei sumida do universo virtual porque é inevitável não chegar ao fim do dia exausta: só quero banho, gelatina e cama (no caso da gelatina, troquem o verbo querer por precisar). Ah, e sem contar que tenho conseguido todos os dias fazer uma hora de academia.
Em uma palavra, um gesto, um convite? Depende. Mas é só observar ao redor para perceber que o dito cujo pode surgir, para algumas pessoas, de uma maneira bem simples e rápida. Às vezes basta apenas um olhar. Outras precisam de tempo, talvez meses. Precisam do dia-a-dia, da intimidade... precisam da certeza.
Seja você passional ou linha dura, é bem provável que ao olhar para trás e pensar nos amores que construiu, vai se deparar com situações bem diferentes. O amor da adolescência, o amor maduro, o amor pra toda vida, o amor de algumas noites... vieram assim, nos mais inusitados momentos ou lugares e, principalmente, com as mais inesperadas pessoas.
Eu, você e toda a torcida do Flamengo estamos cansados de saber: não há fórmula.
E QUANDO MORRE?
Eis que, dia desses, quando fizeram-me o questionamento título deste post, rapidamente pensei que fácil mesmo é saber quando morre o amor...
Quando termina a admiração.
Simples assim.
É claro que a falta de respeito, de diálogo, de atração e etc, influenciam bastante, mas acredito piamente que quando a admiração desaparece, o amor inevitavelmente some junto. Aliás, é a admiração que move todos os meus relacionamentos, inclusive as amizades.
Posto isso, explico melhor: o estímulo ao aprendizado constante, a ideia de ser surpreendida com uma constatação inteligente ou uma colocação bem humorada, a oportunidade de presenciar bons exemplos e ouvir boas histórias, tudo isso é mais do que agradável, é afrodisíaco.
Analisando de forma superficial, até pode parecer que sou mais solidária na alegria, do que na tristeza. Na verdade, não consigo ser complacente com o vitimismo - que, aliás, não é nada admirável. E aí, quando vejo uma determinada pessoa fraquejar, só vou ser o ombro amigo se notar que há esforço ou, no mínimo, otimismo por parte da tal pessoa - o que é admirável demais! Errar todo mundo erra, fracassar todo mundo fracassa, mas desistir, se acomodar ou reclamar o tempo todo são atitudes de quem, definitivamente, não é nem um pouco admirável.
FOR EXAMPLE
Tive uma longa história com um cara que, embora nunca tenha sido meu namorado, eu gostava bastante. Independentemente de quanto tempo se passasse, sempre voltávamos a ter contato em algum momento de nossas vidas. Até que eu simplesmente parei de sentir falta daquela pseudo presença. Em princípio fiquei desapontada, gostava de cultivar aquele sentimento, achava interessante supor que talvez um dia ficássemos juntos realmente...
Mas quando percebi que eu tinha sepultado tudo o que sentia, comecei a me questionar, a querer entender os porquês de tamanho distanciamento.
A resposta não demorou muito a aparecer.
Em anos de pseudo relacionamento, o cara só me trouxe decepções. Não no sentido mais comum da palavra, ou seja, ele nunca foi desleal, agressivo, falso ou insensível. Pelo contrario. Era sincero, carente, gostava de mim, estava sempre querendo me agradar ou mostrar o quanto eu era importante... mas me decepcionou com as atitudes que tomava, com o jeito que levava a vida. Em suma, com coisas que fazia contra ele e não contra mim.
Ele sabia suas dificuldades em modificar esse comportamento, talvez destrutivo, mas só na teoria demonstrava interesse na superação. Na prática que é bom, nada. Desejava fechar alguns ciclos na vida, mas por medo e cautela, jamais se empenhou em fechar de verdade.
Aí eu pergunto: que acréscimo um convívio desse poderia me proporcionar? Porque eu jamais conseguiria construir alguma coisa ao lado de alguém que eu sentisse pena, ou precisasse ficar consolando intermitentemente. E olha que, nas nossas conversas, eu não falava apenas o que talvez ele preferisse ouvir. Despia a verdade com todas as letras. Ele dizia que gostava, pedia que eu o aconselhasse mais. E embora concordasse comigo na maior parte do tempo, sentia-se de mãos atadas, incomodado com muitas coisas que lhe aconteciam. Fez algo para mudar? Não, nem perto.
Cheguei a admirá-lo, assim que o conheci. Depois concluí que o que eu admirava era a pessoa que eu achava que ele era e não quem ele era de verdade. Foi então que passei a vê-lo como um menino perdido, covarde, inseguro, acomodado. Jamais o vi fazer uma escolha que despontasse orgulho em mim. Ele tinha vários planos, mas deixava que os meses passassem sem que os planos saíssem, de fato, do papel.
E o pior é constatar que se encontrá-lo daqui a cinco ou dez anos, provavelmente ele estará na mesma inadmiravel inércia.
Contribuindo, quem sabe, com a morte de outros amores...
MAIS PRA GATA BORRALHEIRA... ...do que pra Cinderela
Só que, no meu caso, não via a hora de chegar a meia noite... tirar o sapatinho assassino de cristal, voltar a sorrir e fazer uma comemoração ao lado dos amigos (depois que o fatídico dia 6 terminou, os meus colegas fizeram um belo churrasco lá no hotel).
AS OUTRAS ABÓBORAS DO DIA
- Sabe aquela lei de Murphy que diz que quanto mais pressa tu tens, mais as coisas dão errado? Pois é, cheguei apressadíssima da Assembleia e fui direto abrir minha mala onde estava o notebook, indispensável pra que eu digitasse o texto e enviasse por e-mail pra editora do jornal. O detalhe é que a minha mania de fechar tudo com cadeado antes de sair do quarto foi como um tiro no pé. Sério, são mais de dois anos fazendo isso e nunca tinha acontecido de NENHUMA chave do meu molho abrir a desgraça do cadeado. Fiquei com bolhas no dedo indicador de tanto que tentei, forcei, tentei de novo... e nada. Conclusão: foi preciso três funcionários do hotel pra escangalhá-lo. E mesmo assim demorou! A serra, o alicate... não faziam nem cócegas no maldito. Quem mandou eu querer prezar pela qualidade? Uso os cadeados Papaiz (aqueles coloridos, alguém lembra?) com haste reforçada, cementada, temperada e cromada, pra aumentar a resistência. Depois de muuitas tentativas - mais ou menos 40 minutos depois - o negócio cedeu e pude enfim trabalhar!
- Depois de tudo pronto fomos correndo até a Globo Cuiabá pra gerar o material pra Porto Alegre. Nos perdemos algumas vezes durante o trajeto, demoramos mil horas pra começar a geração porque os técnicos da emissora não conseguiam arrumar a fiação, um repórter local precisou usar o equipamento que estávamos utilizando, as imagens começaram a digitalizar e, por fim, o tempo da geração terminou. Mas ainda faltava metade da matéria!!!
- Ainda assim, precisamos ir embora. Dentro de 45 minutos eu tinha uma entrevista marcada em outro local, só que ainda precisava ir até o hotel, tomar outro banho, trocar de roupa e me preparar não só pra essa entrevista, mas pra transmissão ao vivo que me esperava dentro de 1h30. Tem noção? Meu coração só faltava sair pela boca. Enfrentamos um engarrafamento até chegar no hotel e quando subi pro quarto parecia uma louca desbaratinada fazendo tudo ao mesmo tempo.
- Missão cumprida, assuntos na ponta da língua, eu me sentindo renovada... ligo pra recepção e peço que chamem um táxi pois eu desceria em cinco minutos. "Não precisa senhora, sempre tem táxi aqui na frente". Confiei, né? Mas foi a pior coisa que eu poderia ter feito. Era 6 de outubro, afinal de contas! É lógico que todos os táxis sumiram!!! Nisso o tempo passando e eu imaginando o entrevistado me aguardando... se tivesse problemas no coração certo que infartaria! Vendo o meu nervosismo, dois funcionários do hotel ficaram praticamente de plantão na avenida do hotel e depois de uns 15 minutos apareceu o tal táxi.
- Cheguei esbaforida ao local da entrevista e... tcharan! O entrevistado não apareceu. Quer dizer, acabou aparecendo cinco minutos antes de eu entrar no ar, mas aí não dava mais tempo. Derrubamos a entrevista! Nem sei dizer como consegui ficar ao vivo mais de uma hora. Pensando agora, percebo que quando minha vida chega no ápice do caos, surge uma força do além e tudo acaba dando certo.
Certo, mas nem tanto. Esse verdadeiro desafio à saúde física e à sanidade mental de um ser humano ainda estava em andamento. Depois precisei limpar toda a minha bolsa (e as coisas de dentro, lógico), porque meu álcool gel resolveu, num feito inédito, explodir. Precisei repetir mil vezes uma entrevista que gravamos após o ao vivo, já que o microfone resolveu falhar várias vezes. Precisei urgente tirar os sapatos... passei a maior parte do dia em pé e os meus pés não suportaram o bico fino de um scarpin! Num certo momento eu realmente achei que tinha fraturado meus dedos, de tão roxos que ficaram. Bom, e lá pelas 23h precisei comer, né!!! Porque com a correria toda, não tive tempo de tomar café da manhã e, também num feito inédito em toda a minha vida, simplesmente esqueci de almoçar e jantar.
Ainda bem que não desmaiei na frente das câmeras...
Depois daquele 1º de abril de 2009 - que mais parecia uma sexta-feira 13 de tão assombrado - achei que tudo o que acontecesse no decorrer do ano seria lucro.
Tolinha.
Não posso evitar o clichê: nada é tão ruim que não possa piorar.
6 DE OUTUBRO DE 2009
Riscaria esse dia da minha vida fácil, fácil...
Pra começar, acordei confusa depois de uma noite estranha e mal dormida.
Abre parênteses. Sempre dormi tranquila e com facilidade em hotéis, não sei o que anda acontecendo. Esses dias parece que até gritei de madrugada. Eu não lembro, mas a Adri ouviu.
Fecha parênteses.
Tinha ido dormir tarde na noite anterior e acordei muito cedo. Precisava estudar.
Abre outro parênteses. Ando mais encanada do que nunca com essa história de estudar. Não bastassem as revistas de agrobusiness que se amontoam na prateleira do meu quarto - enquanto leio vagarosamente cada uma delas, fazendo anotações a cada tópico que julgo interessante - ainda tem essa tal de internet que me faz abrir mil abas ao mesmo tempo e passar não sei quantas horas lendo textos intermináveis. Mesmo que no VT ou no ao vivo eu não tenha muito tempo para "dissertar" sobre o determinado assunto, não consigo relaxar enquanto não absorvo tudo o que posso, enquanto o corpo e a mente aguentam...
Fecha o outro parênteses.
O dia recém começava e eu já me sentia um caco. Mas ainda de bom humor. Poucos minutos depois, a primeira chateação: lidar com a má vontade e a cara amarrada da atendente da recepção. Eu precisava imprimir algumas anotações antes de ir cobrir uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Mato Grosso. A mocinha listava empecilhos:
- Só a partir das 8h.
- Não tenho acesso à impressora.
- Só comprando o cartão de uma hora da internet.
- Os computadores da recepção não imprimem.
- O e-mail para o qual você enviou o arquivo não é utilizado pelos funcionários.
- O pen drive não costuma funcionar.
Nem o indivíduo que compareceu a todas as aulas de paciência suportaria. Mesmo. Depois de uma discussaozinha básica - e consequente gasto desnecessário de energia - um querido senhor encontrou em menos de cinco minutos a solução pra todos os problemas impostos até então.
Já na Assembleia, mais uma listinha de chateações...
O ar condicionado não só me fazia tilintar de frio, como fazia eu me sentir em meio a um vendaval. A sala de audiência, lotada, não permitia que eu trocasse de lugar. Escolhi ficar de pé. Eu, o microfone, a bolsa, o bloco de anotações, os papéis impressos e a caneta que, atrapalhada no meio da confusão, às vezes se jogava no chão. Parecia que tinha vida própria...
Bom, faltou contar que a audiência só teve fim perto das 14h. A saga dos meus pés doloridos começava aí.
Além de tudo, uma trupe de jornalistas, imagino, inexperientes, invadia que nem abutres famintos absolutamente todas as minhas entrevistas. Pra entrevistar também? Você deve ter se perguntado. Antes fosse. Pra pegar carona nas minhas perguntas. E o detalhe é que só eu perguntava... sério, nunca tinha visto isso em sete anos de televisão.
Vejo tanta gente contando os dias pra chegada dos feriados ou finais de semana que só consigo olhar pra cima e agradecer por fazer o que gosto. Já pensou passar a vida num eterno cansaço, reclamando a cada segunda-feira?
Longe de mim.
Convenhamos que a fadiga também chega pra quem sente prazer no trabalho que desenvolve, mas o fardo - com certeza! - é muito menor. E diminui ainda mais a cada missão cumprida, conquista ou reconhecimento. Hoje, cada vez que entro no ar ou termino uma reportagem, só uma frase me vem à mente: "nasci pra isto".
Sou sortuda por ter descoberto cedo a minha realização profissional? É possível. Mas jamais me chamem de sortuda por estar onde estou ou fazer o que faço. Só tem "sorte" quem trabalha, costumo responder.
Durante muitos anos relatei minha carreira, inclusive neste blog, como uma vida de escolhas e, às vezes, renúncias. Mas já não me sinto abdicando alguma coisa. Mesmo. Só enxergo bençãos no dia-a-dia que levo. Nas descobertas, no crescimento e na oportunidade de conhecer pessoas, lugares ou, como diria Amyr Klink, ver o mundo como realmente é, e não como imaginamos ser.
Tenho tantas histórias pra lembrar ou contar, tanta experiência acumulada... não há preço que pague tudo o que aprendo, pessoal e profissionalmente, a cada dia de trabalho. Sei bem que não é nada saudável colocar todas as expectativas de felicidade na profissão e, de fato, não as coloco... mas procuro aproveitar cada minuto que passo no batente, afinal de contas, é onde 90% das pessoas despendem suas vidas.
Partindo desse princípio, conseguir administrar o tempo se torna um gostoso desafio. Melhor: aprende-se a valorizá-lo sem menosprezar a velocidade com que as coisas acontecem. Porque quando se consegue manter o foco, viver nesse ritmo é simplesmente contagiante!
E quer coisa melhor do que se sentir entusiasmado com aquilo que nos cerca? O que não nos faz bem, não merece fazer parte da nossa biografia...